14 dezembro 2006


[Guarda essas pequenas!
Guarda em ti essa seqüência de palavras
Letras e mais letras perseguindo, invadindo, penetrando,
Como se vissem em mim algum tipo de alicerce
- Um porto -
Em que possam repousar, bagunçadas, sem sofrer contradição;
Uma ao lado da outra, em cima, no meio
Devagar
Cuidadosas
Com a suavidade indigna de quem toma conta do pensamento inquieto

Logo eu
Não poderia jamais adotá-las
Que embora tenham intenções leves, serenas, delicadas
Vêm aos poucos, uma a uma
Mas sem perceber
Dilaceram.]

12 dezembro 2006

pra você que está curtindo suas férias em curitiba, assim como eu

COMO NÃO DEIXAR O TÉDIO TE DOMINAR, TRAZER SEU SONO DE VOLTA E AINDA MOSTRAR PRA FAMÍLIA QUE VOCÊ APROVEITA O TEMPO LIVRE PRA EXERCITAR O CÉREBRO

compre um desse:

e esqueça da vida por uns dias

08 dezembro 2006

PRECISO URGENTEMENTE CONFESSAR UMA COISA

Eu gosto de dinheiro. E gosto bastante. Pronto, falei.

Sei que isso ofende - e muito - alguns dos meus colegas (e seus puros e honestos ideais), mas é a mais crua verdade. E pasmem: não vejo tanta felicidade assim em ser uma jornalista honesta, batalhadora, engajada socialmente pra fazer um mundo tão melhor - e morta de fome.

... hum.



Era só isso. Agora que já confessei o que me entalava a garganta em algumas conversinhas pseudo-profissionais, posso seguir minha vida.

30 novembro 2006

sobre gostar de homens pequenos


eu gosto de homens pequenos.desses assim, mirradinhos, pequenininhos, magricelos. não precisam ser assim tão magricelos, mas pequenos, sim. e, ao dizer isso, bato de frente a tudo que pensava ser antes, de gostar de homens grandes, e fortes, e com cara de homens, não de backstreet boys. mas acontece que os pequenos atraem porque parecem ser mais frágeis do que eu, e isso é tão tão bonito. me fazem pensar que eu (também pequena e mirradinha, que fique claro) tenho o dever de cuidá-los, e ensiná-los sobre como é a vida, e as coisas todas, e o mundo inteiro, mesmo que nem a mim isso seja claro, mas é como quando os pais mentem aos filhos que o céu é azul porque é uma cor clara e bonita, e não poderia ser verde porque as plantas já o são. gosto de homens pequenos porque eles conseguem pensar melhor sobre sentimentos, não que homens grandes não saibam, mas não combina com eles que digam frases tão românticas e sensíveis, soaria ensaiado. homem grande serviria então pra comportar mãos grandes e barbas por fazer, uma coisa mais carnal; e homens pequenos, para quardar tudo que é pequeno, e frágil, e sensível, como as palavras que você tem vontade de dizer no meio da madrugada, mas não pode falar ao seu homem grande, porque ele é mais difícil de acordar e tirar o braço de cima de você, e você acaba por desistir, e o deixar dormir até amanhã, até amanhã, até que se torne um homem pequeno pra que você sinta-se à vontade pra contar como é bom que ele seja assim, cabível nos seus braços, pelas noites que virão.

26 novembro 2006

liberta-te, se te ficou insustentável. vá ler um livro de poesia antiga e sinta como se fizesse parte dele, que teu ego será feliz por um instante. ai, que se daqui em diante será sempre assim, sempre esse peso, não demora-te a fazer as malas
isso faz sentido maior

embora não queria, não fale, quando te calas à noite sabes bem das desventuras dessa vida, já passaste por isso uma vez mais. escreve no peito aqueles versos que te dão força, mas põe a camisa por cima, por precaução - esse mundo é completo de doidos que não entendem as tristezas que lhe tomam. e quando chegar a ti a tentação de voltar um passo ou dois, esquece!; não que te digo isso com toda a convicção, mas que é o mais sensato, embora tantas vezes o mais sensato seja a completa estupidez.

sinto como se não te conhecesse mais.

21 novembro 2006

Nas atuais circunstâncias, eu não saberia falar mais nada aqui que não fosse absolutamente autobiográfico.

Por isso eu fico quieta.

14 novembro 2006

calcanhotto


se tudo pode acontecer, se pode acontecer qualquer coisa

E já deu dessas palavras ditas, desses mesmos vícios e brincadeiras, de tudo daquela maneira, mesma maneira, mesma maneira

um deserto florescer, uma nuvem cheia não chover

Apesar dessa nossa nuvem de ontem ter chovido enchentes e enxurradas, o árido das primeiras vezes foi regado a tequilas e pequenos drinks, e a botânica que então me nasceu é hoje suficiente para perfumar minha lembrança por anos a fio.

pode alguém aparecer, e acontecer de ser você

De maneira única, diferente de toda essa gente vestida de preto, e me convidar para dançar um tango mesmo que não saiba, e dançaríamos, mas ainda assim sem ninguém nos ver.

um cometa vir ao chão, um relâmpago na escuridão

, uma madrugada lendo Baudelaire

e a gente caminhando de mãos dadas de qualquer maneira

E equilibrar as frequências de quem guia, mas sem desperdiçar a isso tanta importância - porque às vezes o que importa é ser levada, sem cobrança, sem desvalorização. Quem vive de verdade não tem todos os segundos planejados, não tem certeza de todas as vírgulas que encontra no caminho.

eu quero que esse momento dure a vida inteira

ainda que essa vida seja específica
instantânea

se for eu e você, se assim acontecer.

12 novembro 2006

sobre shows

Ah, e além do mais, todo mundo sabe que "retrato pra iaiá" foi feita pra mim, né?

(assim como casa pré-fabricada, santa chuva e azedume.)

:)

09 novembro 2006

Pensando o quê? Que vais sair no fim da semana, fumar aquele cigarro que guardas há tanto tempo, encher a cara e se sentir "livre"? Ê, besteira. Acorda aí, amigo. Esse teu final da semana não vai te salvar pelos outros, e vai chegar o dia em que vais querer doer em ti, doer até vomitar, encher-se de olheiras. E vai ser o mesmo dia em que o sentido daquele preto e branco cairá na tua cabeça. Eu sei, mas tenho medo. E além disso, esse negócio de beber só te faz dores de estômago. Por acaso agarraste alguma mulher embriagado? Ah, aí é você que não sabe de nada; diz que sabe, faz pose, dá lição de moral. És, na verdade, um covarde. A covardia não se mede nem se julga, todo mundo é um pouco covardia, um pouco coragem, um pouco amor. Amor.
Amor.
Ah, deixa pra lá. Bebe aí. O amor é que é a bosta toda.


ps: como eu sou bichinha.

08 novembro 2006

como espantar o baxastrau

pra ser muito feliz por um momento, segue o segredo:

vá ao mercado e compre:

uma bandeja de Danoninho
quatro Dan-ups
dois flans de morango
quatro bandejinhas duplas de Chandelle
uma barra de Hershey's Cookies & Creme
uma barra de Laka
um Bon Gouter tomate seco
uma Pringles Texas
um Bibs amendoim e um azulzinho (não sei qual é)
besteirinhas do tipo Jelly
Nescau Cereal
Skittles (o pacote maior)


Quando chegar em casa, espalhe tudo em cima da cama e fique meditando por quinze minutos, enquanto escolhe o que comer primeiro.



07 novembro 2006


"Quando olhares, Dominique, pela janela afora, lembrai de Túlio; jamais alguém chorou tão belamente em uma despedida simples e noturna. Confesso, querida, que uma ponta de tristeza chegou a tocar meu coração. Pois não sabes, então? Logo depois que partiste, Túlio agarrou-se às cordas abandonadas e derramou tantas lágrimas que construiu seu oceano próprio, quem sabe com o intuito de que ele competisse com o teu. Ninguém notou, só eu, que me escondi atrás da ponte. Depois ainda, o pobre foi ao bar: bebeu uma, duas, três doses iguais. Como não tivesse dinheiro, foi jogado fora brutalmente (e ao que vejo, não pela primeira vez). Gritou, danço, beijou uma ou duas putas do cais, tatuou no peito a letra D. Proferiu palavrões, impropérios, ofendeu a mãe e o irmão, as estrelas, o mundo. Sentou-se com os pés na água e para ela compôs uma poesia: uma breve sequência de palavras violentas e cruas, rasgando-as, incendiando-as, amando-as. Foi quando as palavras se tornaram Túlio, e Túlio se tornou palavras, e gestos, e gritos, e água. E foi assim que a noite terminou para Túlio: no fundo das palavras, dos gestos, dos gritos, da água. "

Considerações de Apucarana

você percebe que uma pessoa participou da torcida da UFPR no JUCS quando a voz dela deixa de sair - e, quando sai, você não consegue distinguir se ela é homem, mulher ou traveco.

você só percebe que seu chuveiro é o melhor chuveiro de todos os tempos depois de passar cinco dias tomando banho de porta semi-aberta, equilibrando o sabonete no pote de shampoo, e deviando dos cabelos alheios e/ou aranhas cohabitantes.

você percebe que as pessoas da sua faculdade estão cozidas quando elas começam a dançar funk, shakira e black eyed peas até o chão, numa rodinha de balada, rindo até não poder mais.

e finalmente, você percebe que o povo daquela faculdade paga (os que foram, que fique bem claro) é realmente babaca quando, depois de não passar na federal, perder quase todos os jogos e comprovar pra uma cidade inteira que não são capazes de fumar um baseado sem passar vexame, eles ainda olham pra torcida da federal e gritam, segurando uma nota de DEZ REAIS e cheios de orgulho: "eu tenho, você não te-em".

Ah! E a Manu não consegue terminar uma caipirinha. O copo de 300ml é "i-na-ca-bá-vel" :F

tava massa, tava massa :)



31 outubro 2006

eu espero que você tenha todas as tripas arrancadas, e que sofra seu coração arrebentando toda vez que tiver que olhar para uma mulher e perceber o quanto ela é pior do que eu.

30 outubro 2006

nada ficou no lugar



nada ficou no lugar
eu quero quebrar essas xícaras

laura félix

Mas Laura já sabia disso tudo, tudo já lhe haviam dito. Que é coisa pro tempo, que se há de ter paciência, que pra tudo na vida existe um remédio. Laura não queria remédios (já lhe bastavam os da enxaqueca), não queria paciência, não queria que se passasse nem mais um minuto antes do seu mundo ter o fim que esperava que tivesse. Então Laura saiu na chuva, molhou os cabelos, caminhou até o lugar onde estava seu destino e disse, bem baixinho, bem pausado, como se assim pudesse abafar toda a raiva que lhe fazia crescer aquela bola na garganta:
- Diz, então.
E seu destino disse, e ali deixou de ser seu destino, e Laura ainda tinha os cabelos molhados e as bolas na garganta, mas nem um nem outro a impediram de sentir o peito - e a razão - partidos em dois por terem sido tão bruscamente desditos e desmentidos. E seu destino ainda a abraçou, como num consolo, mas Laura já estava em outro lugar. E enquanto voltava pra casa, cada pequena luz era desfocada por uma nova gotinha de água salgada ou um novo arrepio no peito, desses que deixam os fiozinhos do cabelo arrepiados e a sensação de que alguma coisa ficou pra trás.

07 agosto 2006

parte dois

" - Bruto está doente... É saudável, então, sair de casa mal vestido e aspirar este humor úmido da manhã? Como! Bruto está doente, e se esgueira do leito agasalhado, para expôr-se ao contágio vil da noite, a este ar assim tão úmido e nocivo, para aumentar seus males? Não, meu Bruto, no espírito é que tendes uma doença, que, por direito e obrigação de esposa, preciso conhecer. Assim, de joelhos, pelas juras de amor que me fizestes e por aquele voto tão solene que nos uniu num corpo, uma pessoa fazendo de nós dois: peço dizerdes-me, a mim, vós próprio, a mim, vossa metade, o que vos deixa assim tão pensativo e que homens eram estes que esta noite vos vieram procurar; sim, pois é certo que aqui estiveram seis ou sete vultos que até da noite os rostos escondiam. "

01 agosto 2006


Ser teu pão, ser tua comida
Todo o amor que houver
nessa vida


É falar da gente. Mas pensar na gente não é pensar no amor. Porque o amor é, e ele é dito. É vendido. Combinado. É essa coisa de te quero bem. E a gente é força, é cuidado, é vontade. Não se vê o amor. Se fala o amor. Se prova o amor. Se mostra o amor. A gente não prova. A gente não mostra. A gente é a gente.

É assim, querer de amor, morrer de amor, sofrer o amor. Diz-se daquilo que move, daquilo que toca, que todo mundo busca, que todo mundo tem. Do amor diz-se a salvação, a gente não é a salvação. A gente é a gente, é assim, acorda e é, e vai dormir assim também, e come assim, e respira assim, e vive assim, vivendo a gente, respirando a gente, assim a gente. A gente é mais, porque é a gente.

E quando existe nas pessoas, quando surge nas pessoas, eu posso ver, posso dizer: aquilo é só amor. Não é a gente.

- Precisamos trocar a lâmpada desse abajur.
- Esse abajur não funciona mais há tempos, você sabe.
- Funciona sim. É só trocar a lâmpada.
- Não, não funciona. É sempre a mesma coisa. Você compra outra lâmpada, ele acende por dois dias e depois pifa de novo.
- Sempre compramos de 25watts. Precisamos comprar uma de 60.
- Não vou mais gastar dinheiro com esse abajur.
- Não fale assim, ganhei da mamãe. Vou tentar uma de 60 dessa vez.
- Compre, então, já que você insiste tanto. Mas não vai funcionar. Você vive teimando comigo. A lavadora de louças foi a mesma coisa. Gastamos uma fortuna no conserto e nada, nem liga mais. Com o abajur vai ser a mesma coisa.
- Tudo bem, então vou jogá-lo fora.
- Acho que é a melhor solução.
- Você faz isso pra mim?
- O quê? Eu?
- Sim, por quê não?
- Ah, sei lá...
- Vamos, ele é pesado, não consigo carregar sozinha.
- Esse abajur é antigo, né?
- É. Veio com a mamãe da Itália.
- Hum...
- Então tá, você leva ele pra fora. Envolva o bocal num saco plástico, talvez alguém queira pra alguma coisa. Vou dormir.
- Espera! É que... é um abajur bonito. Quem sabe seja a tomada. Pensando bem, também não é assim tão drástico, não precisa jogar fora, podemos deixar ele aí, de enfeite, combina com a estampa da cortina...
- Não, não quero entulhos na casa. Se não funciona, jogamos fora.
- Compre uma de 60. Mas se não funcionar mesmo assim, você joga fora. Você.
- Tá.
- E não me amole mais com essa história de abajur.
 

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